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Amigos, Amigos, Negócios à Parte: Perdem-se às compras e o Amigo



O mundo está cada vez mais rápido, global, transformacional, preocupado, inteligente, criativo, desconfiado, negociador, carente de amor e chorando as pitangas. Os negócios não ficam para trás quando o assunto trata-se das relações humanas e briga por espaço para si, ou será que é para testar as consequências da montagem de um negócio entre amigos, ou tentar a amizade enquanto o negócio passa por uma crise?


Segundo Stoner e Freeman (1999), a Teoria das Relações Humanas iniciou com a Experiência de Hawthorne a partir das experiências de Elton Mayo e modificou o modo da gestão de pessoas ser também gestão de talentos, o capital humano. A abordagem de que os negócios são parte da administração não é fato novo, Chiavenato (2004) já apoiava a abordagem de fatores de trabalho para as necessidades humanas as quais guiavam-nas para o trabalho como meio que se interagissem.


Com a abordagem histórica humana que a teoria mostra adequações:


“A Teoria das Relações Humanas originou-se principalmente da necessidade de humanizar e democratizar a gestão, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo Americano, juntamente com o desenvolvimento das chamadas ciências humanas, principalmente no que tange a psicologia e sociologia; as quais vieram demonstrar a inadequação dos princípios da Teoria Clássica” (CHIAVENATO, 2004, p. 71).


E não um meio tradicional que não exacerbe outros fatores que também não identifique os negócios tão humanas, independente de suas raízes da administração e passagens transformacionais. Com o entendimento de Lacerda (2009) o qual trouxe o nível de produção influenciado por fatores como integração social do grupo de trabalho, a experiência de Hawthorne concluí o nível de produção justamente por esses fatores. Com Charlot (2021), o tratamento em uma perspectiva psicanalítica sobre a questão do inconsciente quando mostra-se que o desejo é ponto principal para motivação do indivíduo, a questão do desejo é socioantropológica e a função do outro, relações com os outros constrói a identidade do sujeito e pelo prazer de aprender.


O indivíduo é racional para seu trabalho e aplica formas de escapar o ambiente de negócios com vícios que provocam ajustes desnecessários, assim, a própria “racionalização trabalha eliminando dos negócios aqueles elementos humanos e emocionais que escapam ao cálculo” (Marsden & Towley, 1999, p. 36). Noutra natureza, em uma rede social, por exemplo, o indivíduo já nutre parametrização diferente quando tenta identificar influência e compreensão nas interações entre as pessoas com estratégias que vivenciada com nova perspectiva (MARQUES, 2010). Mesmo em ambiente digital, crises podem ser iniciadas e podem gerar desconfortos tanto para marcas quanto para os youtubers e blogueiros (KARHAWI, 2021), então, requer o planejamento de estratégia que possam resolver a questão, ou mesmo o cancelamento que trás evidência de riscos para a associação com o ator social (UNZELTE, 2021).


Segundo o dicionário Macquarie, Cancel Culture refere-se às “atitudes dentro de uma comunidade que exigem ou provocam a retirada do apoio a uma figura pública, [...], geralmente em resposta a uma acusação de atitude ou comentário socialmente inaceitável” (MACQUARIE, 2019). Em outros termos, a conexão de pertencimento em uma organização ou assunto reforça que, se o indivíduo não se enquadra com o proposto narrado, este pode ser atingido pela cultura do cancelamento (CULTURA DO CANCELAMENTO, 2021) e o esforço para que a liberdade seja mais maximizada parte do modo popular e da racionalidade entre o aproveitamento de situações e a execução social com sensações de pertencimento.


De um aspecto específico, a “amizade pode ser considerada uma relação instrumental, no sentido de conseguir estabelecer redes de relacionamentos que possam trazer benefícios para seu trabalho”; há um reforço sobre a aprovação de amizades na construção dessas redes, pois muitos elevam “as possibilidades de conhecer novas pessoas e de surgirem novos negócios”, enquanto alguns separam as condições de importância, outros acham que a “amizade é a sustentação de qualquer bom relacionamento” (DE SOUZA & GARCIA, 2008).


Há dificuldades de indivíduos exporem questões pessoais que envolvam seu trabalho, o fenômeno de abstração pode estar presente como se fosse em rede (NEUBERGER, 1996); adaptações podem ser respostas para explicar o que falta para a amizade nutrida por um período se encaixar nos negócios. Às vezes um leve empurrão é suficiente para a amizade virar um negócio totalmente, enquanto em certo momento pode ser o pivô para quebrar uma empresa. Esse fenômeno é extremamente arriscado, pois envolve um cenário não previsto pela organização e seus efeitos são complexos quanto aqueles já conhecidos presentes em sua estrutura.


Segundo Neuberger (1996) apud De Souza & Garcia (2008): “as relações interpessoais ocorridas em uma organização são influenciadas por estrutura organizacional, hierarquia, formalização e padronização das relações interpessoais, divisão do trabalho, frequência de interação entre as pessoas, instrumentalização e abstração. Assim, das variáveis que influenciam as relações interpessoais nas organizações, duas delas merecem um melhor esclarecimento: instrumentalização e abstração”.


Se uma amizade a partir de um relacionamento informal representa influência sobre o indivíduo e pressão como um todo, o esforço de que a relação organizacional mostre o que será impactada não pode ser melhor exemplificada como em um negócio, e a medida que o próprio negócio vai tomando volume é que a amizade também vai ser experienciada. São muitas decisões ao longo do dia e a crítica construtiva no que tange às capacidades humanas são limitas, enquanto às capacidades organizacionais possuem flexibilidade nos negócios e probabilidade de causar menos dores de cabeça.


Realmente: “amigos, amigos, negócios à parte” muito mais por conta da complexidade que um modelo de negócio precisa de atributos, entregas, planejamento estratégico, revisão de campanhas, resultados, entre outros, enquanto a amizade por si só pode estar em jogo em sua continuação pela forte pressão pelos resultados. Novas diretrizes estratégicas que fazem total diferença na composição de um negócio.


Referências:

CHARLOT, Bernard. Os fundamentos antropológicos de uma teoria da relação com o saber. Revista Internacional Educon| ISSN, v. 2675, p. 672, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Bernard-Charlot/publication/351263711_Charlot_antropologia_da_relacao_com_o_saber_pt/links/608dfb32458515d315edcdbd/Charlot-antropologia-da-relacao-com-o-saber-pt.pdf Acessado em 02 de dezembro de 2022.


CHIAVENATO, I., Introdução à teoria geral da administração. 2004.


CULTURA DO CANCELAMENTO:O que é? Do que se alimenta? Como se reproduz?. Mutato, fev. 2020. Disponível em: https://www.muta.to/01-cultura-do-cancelamento Acesso em: 02 de dezembro de 2022.


DA HORA, Bianca Dias; MARTINS, Milena Fagundes; KARHAWI, Issaaf. A cultura do cancelamento e suas facetas: justiça social, intransigências e disputas narrativas. Iniciacom, v. 10, n. 3, 2021. Disponível em: https://revistas.intercom.org.br/index.php/iniciacom/article/view/4110/pdf Disponível em: 02 de dezembro de 2022.


DE SOUZA, Eloisio Moulin; GARCIA, Agnaldo. Amigos, amigos: negócios à parte?. Revista de Administração-RAUSP, v. 43, n. 3, p. 238-249, 2008. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/2234/223417436003.pdf Acessado em: 02 de dezembro de 2022.


MACQUARIE, Dictionary. Word of the year, 2019. Disponível em: https://www.macquariedictionary.com.au/resources/view/word/of/the/year/2019 Acessado em: 02 de dezembro de 2022.


KARHAWI, Issaaf. Crises geradas por influenciadores digitais: propostas para prevenção e gestão de crises. Organicom, v. 18, n. 35, p. 45-59, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/organicom/article/view/172213/173970 Disponível em: 02 de dezembro de 2022.


LACERDA, A. R. F. Teoria Geral da Administração. Abril/2009.


MARQUES, Emanuele Souza et al. Rede social: desvendando a teia de relações interpessoais da nutriz. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 20, p. 261-281, 2010. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/physis/2010.v20n1/261-281/pt Acessado em: 02 de dezembro de 2022.


MARSDEN, R., & TOWLEY, B. Introdução: a coruja de Minerva – reflexões sobre a teoria na prática. In: Clegg, S., Hardy, C., & Nord, W. Handbook de estudos organizacionais. 2. São Paulo: Atlas. 1999.


NEUBERGER, O. Relationships between colleagues. In: AUHAGEN, A.E.; SALISCH, M. The diversity of human relationships. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. p.269-288


STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. 5ª Ed. LTC, Rio de Janeiro: 1999.




Texto escrito por Thales Kroth | 02/12/2022, é sócio na Eu Acionista e é colunista do Café com Comprador.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Comprador e de seus editores.

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