Termômetro econômico para quem compra e negocia em 2025/26
- ruysmagalhaes
- 22 de out. de 2025
- 4 min de leitura

2025 começou com um cenário misto: inflação ainda acima da meta, câmbio pressionado e juros no topo, porém com horizonte de alívio mais à frente.
Para quem toca o dia a dia de Compras, contratos e orçamento, o jogo nos próximos 12 ou 18 meses será combinar prudência com velocidade de negociação.
Então sugiro você, profissional de Compras, ficar antenado com as notícos e com tudo que ocorre no mercado, tanto nacional como internacional.
Vamos analisar isso com maior profundiodade, baseado nos indíces que José Herculano, embaixador do Café com Comprador, extraiu da plataforma GEP Brasil.
Lembrando que em cada gráfico você encontrará algumas considerações.
Para melhor visualização basta clicar na imagem.




Inflação: pressão moderada, mas persistente
O IPCA deve ficar entre 3,9% e 4,5% em 2025/26, ainda acima da meta de 3% . Isso significa que reajustes contratuais seguem inevitáveis; o ideal é negociar por projeção, não só pelo retroativo, para proteger margem ao longo do ciclo de 12 meses .
No INPC, a projeção é ~4,9% em 2025, levemente abaixo do IPCA, útil como referência para contratos de facilities, limpeza, segurança e manutenção . O eventual alívio com alimentos pode ser temporário; fique atento a novos choques que voltem a contaminar cestas de serviços e insumos básicos .
Tática de compras
Trave reajustes por janelas (semestrais ou trimestrais) em vez de um único gatilho anual.
Preveja faixas de variação (ex.: ±0,5 p.p.) para disparar renegociação automática.
Crie cenários A/B com IPCA e INPC para comparar impactos por tipo de contrato.
IGP-M: útil, mas volátil
O IGP-M projeta ~4% em 2025 (faixa 3,8%–4,8%), porém é o índice mais suscetível a câmbio e atacado . Em contratos de aluguel, construção, grandes projetos e fornecimento industrial, trocas bruscas no dólar podem elevar custos rapidamente .
Tática de compras
Em propostas com IGP-M, peça opção de IPCA ou cláusula de reequilíbrio por evento cambial acima de “x%”.
Use bandas de variação e índices híbridos (ex.: 50% IPCA + 50% IGP-M) quando houver alta exposição a commodities.
Câmbio: dólar pressionado pede hedge cirúrgico
O dólar opera na faixa de R$ 5,41 e há tendência de alta moderada para R$ 5,70–5,75 . Para empresas com insumos importados, isso muda a régua de negociação: reavaliar contratos atrelados ao dólar, considerar hedge e antecipar compras estratégicas pode preservar margem e evitar correria no pico de preço .
Tática de compras
Mapeie a exposição cambial por item (BOM/serviços) e priorize hedge onde a elasticidade de preço é baixa.
Faça leilões reversos com trava cambial: colete ofertas “spot” e “com proteção” para comparar TCO.
Simule nacionalizar x importar quando o dólar encostar no teto projetado; a decisão pode virar rapidamente.
Selic: 15% agora, queda provável a partir de jan/2026
A Selic está em 15%, com queda gradual estimada a partir de janeiro/2026, podendo fechar entre 14,75% e até 11,5% em cenário otimista . Enquanto isso, estoques financiados custam caro, é hora de revisar níveis e giro; e com a virada dos juros, renegociar prazos e antecipações com desconto volta a fazer sentido .
Tática de compras
Reduza capital empatado em itens de baixa rotação; aumente VMI/consignação onde possível.
Negocie alongamento de prazo atrelado a marcos de queda da Selic em 2026 (cláusulas gatilho).
Reative descontos por antecipação: com taxa alta agora, mas perspectiva de queda, time sua tesouraria por lotes.
Checklist rápido para sua próxima negociação
Índice de reajuste correto para cada contrato (IPCA/INPC/IGP-M) e banda de variação definida.
Cenário cambial testado até R$ 5,75, com política de hedge clara por família de itens .
Política de estoque revista para custo financeiro atual e plano de redução gradual acompanhando a Selic .
Calendário de reajustes e renovações baseado em projeções, não só em passado .
No fim, 2025/26 exige disciplina de cenário e agilidade de execução: quem balancear travas de preço, cláusulas inteligentes e proteção cambial leva vantagem nas margens.
Considerações finais
Profissional de Compras, lembre-se: as considerações apresentadas nos gráficos foram desenvolvidas por José Herculano, e o resumo de cada índice neste texto foi elaborado por Ruy Magalhães.
Essas análises refletem nossa visão prática de mercado, construída ao longo de anos acompanhando a dinâmica econômica e seus impactos diretos nas negociações e contratos. Naturalmente, cada setor tem sua realidade, e nem todos os indicadores terão o mesmo peso para o seu negócio. Cabe a você, como profissional de Compras, analisar esses dados com senso crítico e “colocar na balança” o que faz sentido dentro do seu contexto.
É justamente isso que torna essa área tão fascinante: a capacidade de unir estratégia, sensibilidade e timing em um cenário que muda o tempo todo. É o que faz da nossa profissão, a incrível área de Compras, um campo vivo, desafiador e apaixonante.

Introdução Ruy Magalhães
Café com Comprador

Análise e dados desenvolvidos por José Herculano Santos Filho
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Comprador e de seus editores.







