Gerenciamento de Riscos: O que podemos aprender com as recentes catástrofes ?



Incidentes como a explosão no Líbano e o rompimento das barragens em MG poderiam ter sido evitadas ? Sim, com certeza.


O quanto compreendemos e gerenciamos os riscos que podem prejudicar nossa busca por objetivos está se tornando uma medida cada vez mais importante para o sucesso.


Por causa das crises econômicas recentes, dos desafios financeiros e escândalos corporativos, os acionistas e as partes interessadas (as comunidades, clientes e o poder público, por exemplo) estão dando cada vez maior ênfase na forma como as empresas gerenciam seus riscos, quando se trata de avaliar se devem ou não investir nelas ou associar-se a elas. O raciocínio é simples: quanto melhor a empresa gerenciar o seu risco, mais consistente, competitivo e confiável será seu desempenho. Como resultado, a gestão de riscos – em cada nível e em cada parte da organização – tornou-se essencial, elemento vital para o sucesso do futuro.


Um dos desafios de entender a gestão de riscos é o fato de todos nós o fazermos em maior ou menor escala, portanto é essencial termos a consciência de que precisamos fazer isso de forma cada vez mais profissional e responsável, principalmente em relação à segurança.


Para fortalecer e melhorar a forma com que as empresas gerenciam os riscos, precisamos entender o seguinte:


- O risco deve ser responsabilidade da equipe de gestão / liderança para que o mesmo se torne parte vital da forma como a empresa trabalha e opera.



- A empresa deve ter uma gestão integrada de riscos. Uma mesma abordagem deve ser aplicada a todos os riscos, adotar um processo coerente e utilizar as mesmas ferramentas. Devemos adotar uma linguagem comum e um processo de gerenciamento simples, mas eficaz.


- Adotar uma abordagem integrada. A natureza do risco é tal que suas causas, consequências e controles não se enquadram perfeitamente em uma única área de atividade ou responsabilidade. Isso envolve diferentes disciplinas trabalham de forma conjunta.


A implantação de Gerenciamento de Riscos Operacionais oferecerá aos líderes e à linha de frente uma forma de identificar, priorizar e controlar os riscos que ameaçam a capacidade de alcançar seus objetivos.


O principal objetivo é certificar que todas as formas de risco serão gerenciadas de forma semelhante. Isto fará com que a empresa compreenda melhor o impacto acumulado que estes riscos podem ter e que possa tomar as decisões corretas para gerenciá-los com eficácia.


O gerenciamento de riscos deve abranger todas as áreas (finanças, produção, manutenção, recursos humanos, segurança, meio ambiente, engenharia) e todos os níveis (desde CEO até o nível operacional).


Algumas premissas básicas para o GRO (Gerenciamento de Riscos Operacionais):


- Priorizar e dar enfoque no que fará a maior diferença.


- Abordar os riscos críticos em todos os níveis e através de uma perspectiva multidisciplinar.


- O GRO deve fazer parte do sistema de gestão integrada da empresa.


Um único incidente pode gerar muitas consequências: Segurança, social, prejuízo material, legal, reputação, etc.


Em muitos relatórios de desenvolvimento sustentável aparecem como problemas chave e mais relevantes a segurança, saúde, mudanças climáticas, direitos humanos e comunidade. Tem outros diversos temas, não menos importantes, como a ética empresarial e o desempenho econômico.


O FOCO NA SEGURANÇA:


Gráfico de maturidade do gerenciamento de riscos na indústria:



Um dos fatores mais presentes na causa de eventos significativos são os erros humanos, que somados às falhas no sistema de gerenciamento causam enormes catástrofes.


Erros humanos são divididos entre os Não-intencionais (deslize, lapso, equívoco) e os intencionais (violação de rotina, cultural ou excepcional).


Como primeiro passo, precisamos entender as condições perigosas (uma fonte de dano / lesão potencial). Um dos melhores conceitos para avaliar estas condições é o foco na energia:


- Lei da natureza: Deverá haver liberação de energia para a realização de trabalho;


- Sempre que ocorre um dano / lesão é possível identificar a condição perigosa que o gerou;


- Uma forma de identificar é avaliando as energias e forças motrizes;


- Quanto maior a magnitude, maior a condição perigosa.


São diversas as fontes de energia:  biológica, química, elétrica, mecânica, ruído, pressão, térmica, vibração e pessoas.


Risco = Probabilidade x Consequência


Risco é uma medida de algo e o seu nível é determinado pela qualidade dos controles, bem como pela magnitude da condição perigosa.


Exemplo de classificação de risco:



Hierarquia de controles (mais efetivo ao menos efetivo em relação a amplitude de proteção):


- Eliminação (mais efetivo)

- Substituição

- Engenharia

- Separação

- Administrativo

- EPI (menos efetivo)





Ferramentas e técnicas de avaliação de risco (Não existe uma modelo que sirva para tudo):


- SLAM (Stop, Look, Assess, Manage)

- WRAC

- FMECA

- HAZOP

- FTA

- Análise de Bow Tie



Análise e melhorias nos controles existentes:



Sugestão de procedimento para o gerenciamento de riscos de uma unidade operacional:


1.      Identificar os processos e subprocessos da unidade (mapeamento dos processos);


2.      Identificar as condições perigosas;


3.      Reunir uma equipe adequada e apresentar o mapa de processos e o inventário de condições perigosa;


4.      Identificar os eventos indesejados potenciais;


5.      Classificar o risco dos eventos indesejados;


6.      Diferenciar os eventos indesejados prioritários dos outros eventos, para ações complementares;


7.      Documentar os eventos indesejados prioritários no registro de riscos e controles críticos;


8.      Gerenciar. Rever de forma frequente as análises e ações.



BOW TIE (Análise de controles de um único evento indesejado):


1.      Defina o evento principal;


2.      Definas as causas;


3.      Defina os controles preventivos;


4.      Defina as consequências;


5.      Controles de mitigação (medidas para evitar ou limitar as consequências) e recuperação (medidas para recuperar a consequência de forma mais rápida e eficaz possível).



Oportunidades para integração dos resultados do gerenciamento de riscos:


- Planejamento / projeto da usina ou planta (projeto do ambiente de trabalho físico, riscos sendo considerados na fase de projeto e implantação);


- Processo de aquisição (processo de compras proativo, especificações para controles críticos, redução de perdas e equipamentos e materiais adequados ao seu fim);


- Planejamento da manutenção;


- Gerenciamento de projetos e mudanças na planta;


- Processo de gerenciamento de contratados.



O objetivo deste artigo não é torná-los um especialista no gerenciamento de riscos mas sim despertar o interesse de vocês sobre o tema.


Todo incidente pode ser evitado.


Última dica: o mais importante em qualquer planejamento >>> Cumprir o plano !


Exemplo de planilha de matriz de risco:



Texto escrito por Erwin Rômel Araújo Resende Souza - Presidente do CBEC - Conselho Brasileiro dos Executivos de Compras