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Agentes de IA e o Futuro das Vendas B2B: Como Essa Revolução Vai Mudar Também as Compras Corporativas

  • 22 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

A revolução da inteligência artificial chegou com força ao universo B2B. Segundo estudo recente da Boston Consulting Group (BCG), os chamados agentes de IA, sistemas autônomos capazes de aprender, decidir e interagir com humanos, estão prestes a transformar completamente a forma como empresas vendem, compram e se relacionam.


E, embora o foco inicial esteja nas vendas, o impacto sobre as áreas de Compras e Procurement será igualmente profundo.


Esses agentes vão muito além dos chatbots tradicionais. Eles conseguem entender linguagem natural, analisar sentimentos e adaptar conversas em tempo real. A BCG destaca que empresas que adotarem essa tecnologia poderão aumentar sua produtividade comercial entre 25% e 50% em apenas dois anos. Isso porque os agentes de IA são capazes de gerenciar toda a jornada do cliente, desde a prospecção até a renovação de contratos, com uma precisão e velocidade impossíveis para humanos.


A grande mudança, porém, está no papel das pessoas. Em vez de substituir profissionais, a IA redefine suas funções. Vendedores e compradores passam a atuar como estrategistas, usando empatia e criatividade, enquanto a IA cuida da execução, da análise e da personalização em escala. O resultado é um modelo híbrido, o chamado Augmented Sales, em que o humano direciona o propósito e a IA garante eficiência e previsibilidade.


No lado das Compras corporativas, a transformação será ainda mais visível.


Os agentes poderão realizar análises preditivas de ruptura de estoque, variação de preços e riscos de fornecedores. Também poderão negociar automaticamente com diferentes players, comparar propostas e sugerir cenários de decisão baseados em objetivos de economia, compliance e sustentabilidade. Com isso, o comprador deixa de ser operacional e passa a ser um orquestrador estratégico de valor dentro da organização.


Um conceito inovador apresentado pela BCG é o de machine-to-machine sales, ou seja, vendas entre máquinas. Imagine sistemas de IA de empresas compradoras e fornecedoras conversando diretamente, trocando cotações e fechando negócios sem intervenção humana. Esse tipo de negociação automatizada já começa a surgir em marketplaces B2B e promete encurtar drasticamente o ciclo de compras. O comprador humano, nesse cenário, passa a atuar como curador, definindo políticas, parâmetros e exceções.


Mas essa nova era não vem sem desafios. Transparência, ética e governança tornam-se pilares fundamentais. É preciso garantir que as decisões tomadas por algoritmos estejam alinhadas às políticas corporativas e que haja um humano no circuito, o chamado modelo “human-in-the-loop”, responsável por validar e supervisionar o trabalho das máquinas.


A pesquisa da BCG também destaca ganhos econômicos expressivos. Além da produtividade, empresas que utilizam IA em seus processos de vendas e compras podem reduzir custos operacionais em até 30% e acelerar decisões em mais de 60%. Isso porque a IA elimina retrabalhos, processa informações em segundos e fornece insights baseados em dados reais. Em um mundo onde tempo é dinheiro, essa velocidade se torna uma vantagem competitiva inestimável.


Para aproveitar esse novo cenário, as empresas precisam começar agora. O primeiro passo é construir uma base sólida de dados, afinal, a IA aprende com o que é alimentada. Em seguida, é essencial capacitar as equipes, criando uma cultura digital onde humanos e máquinas cooperam de forma complementar. Por fim, é necessário integrar plataformas de CRM, ERP e SRM, criando um ecossistema onde os agentes de IA possam atuar de forma fluida e inteligente.


O que está por vir é uma mudança estrutural no modo como o B2B funciona. As negociações autônomas serão cada vez mais comuns, e o sucesso não dependerá mais apenas de quem tem o melhor produto ou preço, mas de quem souber usar a tecnologia para tomar decisões melhores, mais rápidas e mais humanas.


No fim das contas, a inteligência artificial não veio para tirar o protagonismo das pessoas, e sim para ampliá-lo. O comprador do futuro será aquele que entender que IA não é uma ameaça, mas uma aliada estratégica, um copiloto que transforma dados em decisões e decisões em resultados. E, nesse novo jogo corporativo, vencerá quem conseguir unir o melhor da máquina com o melhor do humano.


Este artigo foi desenvolvido com base no estudo BCG projeto Center for Customer Insight.,.


Para conferir o artigo completo referente a este estudo, clique aqui, artigo desenvolvido em inglês.




Texto escrito por Ruy Magalhães


Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Comprador e de seus editores.

 
 

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