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Luiz Barsi Filho & A Arte de Fazer Investimentos



Risco é um conceito econômico-financeiro que está relacionado com a disponibilidade de um investidor alocar recursos em um ativo ou negócio sabendo o ambiente inserido está suscetível a mudanças que podem aumentar ou diminuir a possibilidade de retorno. Se para a geração de valor que se espera, o ativo pode sofrer comportamento diferente do esperado, para essa alteração o comportamento chama-se risco.


Se aplicação em um negócio projeta um lucro esperado, o lucro efetivo no futuro pode ser diferente, também nesse fenômeno está o risco. Mesmo que não há plausibilidade de quando começa ou termina, ele é reativo e pode não afetar por imediato a receita, mas pode impactar o dividendo que será pago no futuro.


Quando se faz o cálculo de risco para tentar medir o grau de incerteza ou certeza sobre um retorno, normalmente determina-se sobre dados quantitativos, todavia há discussões que mostram que qualitativamente podem exercer impacto no comportamento dos usuários sejam internos (gerentes, administradores, diretores, etc) e externos (governo, órgãos governamentais, acionistas, etc) e determinar um movimento para com aplicações financeiras. O risco está ligado às finanças comportamentais e entendê-lo é a ousadia do investidor em tentar visualizar um cenário quantificado e com um diagnóstico para situações controversas.


Existem diversos riscos que poderiam ser tratados separadamente por conta das abordagens que alinham com o mercado ou tratam dele como o risco não sistêmico que envolve a capacidade do mercado não provocar uma queda em todos os ativos por estarem separados pelos setores, graus de impacto e outras forças. Ou então o risco de crédito que é a incapacidade de pagamento, risco de negócio sobre a conjectura de um negócio ter viabilidade, risco político, risco de imagem, risco de liquidez quando um ativo não tem facilidade em se converter em dinheiro ou moeda corrente, risco financeiro que é o risco para os acionistas sobre o endividamento em um negócio, risco de gestão quando trata-se da administração, risco-país, risco de mercado, risco sistêmico, outros riscos.


Normalmente está associado com o desvio padrão por tratar diretamente da rentabilidade e o fenômeno em ter um retorno que oscila conforme a incerteza é chamado de risco, por isso o risco de capital que é também o risco do acionista sobre um negócio que investe necessita de conhecer formas para eliminar o risco em todo ou em parte.


Dentre diversas formas de alocação, a diversificação é a mais aceita e a mais contributiva para que uma carteira de investimentos, de negócios, de ações, de contas, até mesmo se for imóveis, ativos digitais, participações e outras formas de investir são passadas e confirmadas por estudos na área. O que discute-se é a narrativa da diversificação quando apenas um negócio é responsável pela geração de renda de um investidor, quando ele defende a diversificação e não aplica.



A melhor forma de entender investimentos é na prática. Por exemplo, Luiz Barsi Filho é o maior investidor pessoa física na Bolsa, Brasil e Balcão – B3. Abaixo consta um quadro que representa parcialmente suas participações no mercado de capitais e direciona melhor o acompanhamento entre a diversificação de facto ou razoável, pois o investidor possui patrimônio de R$ 4 bilhões segundo a Forbes Brasil na divulgação anual de 2022, teve um aumento de 48% em relação a 2020 que havia R$ 2,7 bilhões e 28% em relação a 2019 o qual havia R$ 2,1 bilhões.

Fonte: Investsite. Disponível em: https://www.investsite.com.br/participacao_acionaria.php?IdentificacaoPessoa=654183872 Acessado em: 24 de novembro de 2022


Para a Unipar, o ticker UNIP3 está cotada a R$ 96,20 e se multiplicar pelas 5.055.000 ações ordinárias terá investimentos de R$ 486.291.000,00; e o ticker UNIP6 a R$ 113,76 se multiplicar pelas 15.833.000 ações preferenciais dará R$ 1.801.162.080,00 totalizando R$ 2.287.453.080,00 ou 57,19% do valor divulgado pela Forbes este ano.


Continuamos. Para a Taurus Armas, o ticker TASA3 cotado a R$ 14,08 se multiplicar pelas 806.000 ações ordinárias equivale a R$ 11.348.480,00; enquanto o ticker TASA4 cotado a R$ 14,16 se multiplicar pelas 6.000.000 ações preferenciais valerá R$ 84.960.000,00 os quais totalizam em R$ 96.308.480,00 ou 2,41% dos R$ 4 bilhões.


Seguindo. Para a Paranapanema, o ticker PMAM3 cotado a R$ 6,14 se multiplicar pelas 2.313.800 ações ordinárias equivalem a R$ 14.206.732,00 que representa 0,36% do total.


E, por fim, a Eternit, com o ticker ETER3 cotado a R$ 12,06 se multiplicar pelas 3.090.800 ações ordinárias equivalem a R$ 37.275.048,00 ou 0,93% do total.


Nota-se então que os investimentos totalizam em R$ 2.435.243.340,00 ou 60,89% de R$ 4 bilhões divulgados pela Forbes Brasil na edição especial de 10 anos ed. 100, em seu relatório anual tradicional. Isso mostra que em apenas 4 ativos houve concentração de 60% de seu capital. Qual o problema disso? Onde está a diversificação? Nas duas, uma: ou o relatório da Forbes está desatualizado de acordo com seus critérios para tentar dimensionar a fortuna do investidor em 2022 e ele possui muito mais que R$ 4 bilhões ou o parâmetro do Dr. Samy Dana está certo: a diversificação serve para vender curso.


Ainda assim, neste exemplo prático, lógico e essencial para entender como ocorrem os investimentos, o investidor aloca seus recursos em uma empresa e aguarda a proveniência dos dividendos em datas futuras. É uma ação com risco e por isso precisa-se de análise, coerência, interesse, reuniões, decisões e tomadas de decisões. Não deve ter sido diferente para o maior investidor brasileiro da bolsa.


Um aspecto interessante está na formação dessa carteira que sem querer formou-se: Unipar Carbocloro é uma empresa de produtos químicos, a Paranapanema é uma metalúrgica de cobre, a Eternit fornece materiais para a construção civil e a Taurus Armas fabrica armas e munições. A meu ver não parecem de ser de setores diferentes, fabricam bens industriais, na teoria há uma concentração de recursos aqui. São empresas que possuem abordagens diferentes e estudos de caso que merecem acompanhamento de investidores. Acredito que são aprendizados implícitos que o investidor deixa como legado de alguma forma, pois para entender sobre a arte de fazer investimentos, muitas informações estão contidas nas entrelinhas e o investidor só precisa pesquisar para encontrar.




Texto escrito por Thales Kroth | 09/11/2022, é sócio na Eu Acionista e é colunista do Café com Comprador.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Comprador e de seus editores.

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