Indicadores econômicos em 2026: quando o número deixa de ser notícia e vira decisão
- ruysmagalhaes
- há 3 dias
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Durante muito tempo, indicadores econômicos foram tratados como “contexto macro”. Algo para acompanhar, comentar e seguir em frente. A análise abaixo desenvolvida por José Herculano Santos conforme os dados e gráficos da solução GEP Brasil, mostra que essa lógica ficou para trás. Em 2026, indicador não é cenário, é ferramenta direta de decisão, especialmente para a área de Compras.
Como resume José Herculano Santos, durante a LIVE no YouTube, do canal Café com Comprador sobre Gestão de Fornecedores e Terceiros como Estratégia Corporativa:
“O risco não entra pela porta da estratégia. Ele entra silencioso nas cláusulas de reajuste.”
Clique aqui e acesse a LIVE na íntegra.
IPCA: previsibilidade só funciona com governança

O IPCA mostra desaceleração de 2024 para 2025, com projeções próximas de 4% no próximo ciclo. Para Compras, isso traz previsibilidade — mas apenas para quem fez o básico bem feito.
Exemplo prático em Compras:
Contratos de facilities, materiais indiretos ou serviços recorrentes muitas vezes usam IPCA por padrão. O erro comum é aceitar reajuste automático, anual, sem critério adicional. O resultado? Margem corroída sem discussão.
Boas práticas vistas em equipes maduras:
IPCA com teto e piso
Gatilhos de revisão apenas se o índice sair da banda prevista
Data-base clara e evidência obrigatória
Como destaca José Herculano Santos:
“IPCA não serve para acompanhar a economia. Serve para blindar orçamento.”
IGP-M: quando o índice vira cláusula de risco

O relatório mostra um IGP-M mais “calmo” no curto prazo e abaixo do IPCA em algumas leituras recentes. Para Compras, isso costuma gerar uma falsa sensação de alívio.
Exemplo prático em Compras:
Contratos de aluguel de equipamentos, serviços técnicos ou contratos longos atrelados ao IGP-M podem parecer vantajosos hoje, mas expõem a empresa a picos futuros. Quando o índice dispara, surgem renegociações, pleitos e conflitos.
Empresas mais maduras adotam:
Limites claros de reajuste
Revisão de contratos antigos sem proteção
Migração planejada para IPCA quando o perfil do custo permite
“IGP-M não é vilão, mas sem proteção ele vira transferência direta de margem.”
Destaca José Herculano

INPC: Compras e RH no mesmo tabuleiro
O INPC segue como principal indexador para contratos intensivos em mão de obra. Mas o relatório deixa claro: INPC sozinho não explica o custo real.
Exemplo prático em Compras:
Contratos de limpeza, segurança ou manutenção frequentemente chegam com pedidos de reajuste baseados apenas no INPC. O problema é que convenção coletiva, encargos e mudanças de escala costumam pesar mais do que o índice.
Boas práticas na área:
Calendário único de repactuação
Exigência de memória de cálculo detalhada
Dois cenários: base e estresse
Conforme retrata Herculano:
“Quem trata INPC como número, perde. Quem trata como processo, controla.”
Câmbio: o risco que aparece depois da assinatura

O câmbio sobe forte de 2023 para 2024 e segue em patamar elevado em 2025. Para Compras, esse é o indicador mais traiçoeiro.
Exemplo prático em Compras:
Mesmo fornecedores nacionais podem repassar dólar via insumos, tecnologia, peças ou frete. Sem cláusula cambial clara, o pedido de aumento chega “por fora”, fora do contrato.
Empresas com maturidade em compras:
Mapeiam todo o spend com exposição ao USD
Criam cláusulas cambiais com gatilhos e limites
Trabalham dual sourcing, nacionalização e ajuste de estoques
Compras como protagonista da margem
A conclusão do relatório é direta (página 5): o diferencial competitivo não está em prever indicadores, mas em ter contratos preparados para eles. Esse é exatamente o debate recorrente em encontros como o Café com Comprador, onde profissionais de Compras discutem menos “índice” e mais governança, cláusula e processo.
Ferramentas e plataformas, como as adotadas por empresas que utilizam soluções da GEP Brasil, reforçam esse movimento ao dar visibilidade, rastreabilidade e disciplina aos reajustes e contratos — algo essencial em um ambiente de inflação sensível e câmbio instável.
No fim, a mensagem é simples: em 2026, Compras deixa de ser área operacional e assume um papel central na proteção de resultado.
Sua área de Compras está preparada para usar os indicadores como argumento de negociação ou ainda reage a eles quando o fornecedor bate à porta?

Introdução Ruy Magalhães
Café com Comprador

Análise e dados desenvolvidos por José Herculano Santos Filho
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Café com Comprador e de seus editores.







