Compras: arte ou processo? O dilema continua!!!



No último ensaio, falei um pouco sobre o quanto Compras é importante e como pode ser difícil comprar se não houver o aprofundamento dos processos.


Neste ensaio, vou explanar um pouco, utilizando o Mapa Conceitual de Compras como base, sobre uma de suas ramificações: Processos.


Eu propus que os processos são divididos em três modalidades, de acordo com o tipo de material que a equipe esteja administrando; Compras de Material Direto (aquele que vai compor o produto final que a empresa comercializa), Compras de Material Indireto (aquele que dará apoio às atividades da empresa mas não compõe o produto final) e CAPEX (Capital Expenditure), que são as compras ligadas aos investimentos em bens de capital.


O motivo dessa divisão de processos está ligado ao foco que as equipes de Compras devem ter no abastecimento, pois Compras Diretas necessitam de abastecimento contínuo, ligado ao S&OP (Planejamento de Vendas e Operações), geram estoques e seus insumos usam uma área de armazenamento. Compras Indiretas estão ligadas às demandas dos diferentes departamentos da empresa e nem sempre geram estoques e têm “uma pegada” spot, isto é, eventual e ainda sim, muito importante pois, imagine uma equipe médica sem uniformes no centro cirúrgico? Já CAPEX, normalmente, é feito conforme um projeto, respeitando um cronograma físico e financeiro, pode ser feito de forma faseada, por sprint (o pessoal do SCRUM sabe bem o que é isso!) e por isso mesmo, é crítico. Envolve grandes volumes financeiros, têm uma tendência de ser definitivo e em caso de não conformidades como erros de projetos, problemas estruturais ou grandes atrasos em termos de tempo, geram grandes prejuízos.


Comprador bom, é como Pelé, bate com as duas e também é bom de cabeça, portanto, pode atuar em qualquer um dos processos, mas, ao colocar o jaleco de diferentes processos, sua orientação também muda.


A ampliação do Mapa Conceitual de Compras, foco Processo, que está ilustrado abaixo, nos dá uma ideia das necessidades e possibilidades que os Compradores(as) irão se deparar.


Observe que ao se criar algumas categorias de produtos, e esse modelo está longe de ser exaustivo na criação/determinação de categorias, vemos a quantidades de subcategorias, grupos e artigos que são criados e isso ajuda a explicar o porquê de se separar Compras por processos, colocando grupos de compras dedicados para cada disciplina. Isso pode ser vantajoso pois se obtém foco, aprofundamento das pesquisas de cada grupo de insumos, oportunidade de conhecer diferentes processos produtos e aplicar as métricas e indicadores adequados para cada uma delas. Na criação do banco de dados, uma única coluna pode indicar a classificação da categoria, facilitando a geração de relatórios e a identificação do impacto que cada uma tem no volume total do que é consumido pela empresa.


A pergunta continua: Compras é Arte ou Processo?


Escrito por Osmar Martins - Professor e Profissional de Compras (originalmente publicado no LinkedIn, em 20/10/2020)