Compras em um futuro de negócios digitais



Uma das palavras que mais tem sido ditas após a virada do século 21 é Disrupção.


Disrupção significa “interrupção do curso normal de um processo”, logo, um processo disruptivo é aquele que provoca ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias estabelecidas no mercado.


Quando as mídias sociais foram lançadas e ganharam escala, elas tinham como mote a conexão entre pessoas, a possibilidade de interligar de forma efetiva, barata e rápida, pessoas que estivessem do outro lado do mundo.


As chamadas por vídeo realmente criaram possibilidades inimagináveis no início da digitalização dos processos. Na verdade, imaginadas sim, mas apenas em histórias de ficção científica. O WhatsApp, entre outros aplicativos, tornou essa ficção científica possível e mais, criou um padrão de comunicação.


Mas, se tecnologias disruptivas só podem ser chamadas assim por alterarem padrões e modelos, isso significa que a produção de automóveis, ou o atendimento em farmácias, não podem ter em seus processos tecnologias disruptivas?


Há de se entender que inovação é a palavra de ordem da última década (entre 2010 e 2020) e que empresas inovam por uma questão de sobrevivência pois, se as empresas não reduzirem seus custos operacionais, se não melhorarem seus processos produtivos, se não ganharem espaço se distinguindo, se não superarem a concorrência com produtos e serviços mais atraentes, elas serão extintas. Nunca a frase dita por Charles Darwin sobre evolução, que se reproduz livremente aqui, “Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança”, esteve tão próxima de se comprovar do que agora, entre empresas, pois a digitalização do mercado impôs uma seleção mercadológica e quase que natural.


Qualquer que seja a atividade na qual uma empresa esteja envolvida, ela deve buscar ganhos de escala e redução de custos, de forma a aumentar sua lucratividade e a tecnologia da informação é uma grande aliada nessa missão.


É sabido há tempos, principalmente por grandes empresas de varejo e do setor industrial, que o COMPRAR é uma atividade crítica, ligada ao abastecimento, que irá garantir a produção e comercialização do produto final e por consequência, o faturamento, mas, o que muitas empresas não levam a sério, seja por falta de conhecimento, seja por visão imediatista, é que COMPRAR bem irá garantir a margem, a lucratividade. Embora a missão primária de todo departamento de Compras seja o abastecimento, é possível e esperado que economia de escala possa garantir melhores resultados.


Um departamento de Compras em um momento de digitalização de processos e negócios, deve ter um alto grau de digitalização e automatização de seus processos também.

As maiores oportunidades de automatização estão normalmente nos processos de compras transacionais, que são previsíveis, repetidas, que consomem tempo e que não estão ligadas ao Core Business da empresa, nem mesmo estão ligadas diretamente à cadeia de suprimentos onde a empresa está inserida.


Já existem soluções "padronizadas" que permitem que a empresa possa disponibilizar para as áreas demandantes, uma Purchasing Process Switch, plataforma onde as demandas são informadas e fazem a totalização de quantidades, emissão de pedidos, recebimento de avisos de embarque e demais trocas de informações como níveis de alçada para aprovação. A questão é que parametrizar essas plataformas leva tempo, necessita de recursos materiais e pessoais, sendo que as pessoas envolvidas devem conseguir entender a extensão e impacto do processo de compras que está sendo automatizado e infelizmente, é nesse ponto que muitas empresas acabam emperrando e decidindo por manter um time de compras transacionais, que estará repetindo diariamente, atividades de baixo valor agregado.


A boa notícia está no ciclo virtuoso que está em curso, com um verdadeiro exército de técnicos e analistas que possuem habilidade de programação e que podem criar switch amigáveis e baratas dentro das empresas. Claro, a figura do Comprador, que é o elemento que tem a visão holística do processo de COMPRAR é fundamental e esse Comprador, ao visitar esses processos para criar essa automatização de Compras, estará se capacitando para vôos maiores e mais complexos, que são exigidos pelo conceito Strategic Sourcing.


Compras Estratégicas (Strategic Sourcing) são um capítulo a parte, e necessitam de pessoal especializado não só nos processos de compras mas também, em perceber oportunidades e negócios que não estejam tão claros, à disposição da empresa. Como aplicar Strategic Sourcing envolve mapear e entender o mercado fornecedor, as especificações, a criticidade e profundidade da categoria estudada e a habilidade de conduzir processos de negociação com isenção e também com mente aberta, o profissional de Compras precisa estar cada vez mais preparado em termos de formação acadêmica mas também, antenado em indicadores econômicos e mesmo no ambiente político, interno e externo (inclusive dentro da empresa).


Para concluir,


Escrito por Osmar Martins - Professor e Profissional de Compras (originalmente publicado no LinkedIn, em 10/11/2020)