Avaliação de desempenho: Como ser melhor avaliado?



O comprador por si só, pensando em resolver os problemas da sua empresa, acaba tomando algumas ações que não são da sua alçada, até aí tudo bem, né? Profissional dedicado, proativo, accountability - senso de dono, né?


Legal, bacana! Mas são poucos os casos onde o profissional é reconhecido. Na hora da avaliação de desempenho, não é muito bem assim como a coisa funciona.


Suponhamos que você faça o seu, ajude os colegas, atenda seus clientes internos e fornecedores, esteja sempre trabalhando para atingir as metas da área, como % de savings, redução de backlog, lead time do processo, prazo de pagamento, entre outros.


Aquele indivíduo que te avaliará (Gestor, cliente interno, outro), poderá lembrar de um processo que você conduziu e não tenha sido bem sucedido, como ter estourado o lead time, ou aquela economia que não atingiu o % meta, ou o prazo de pagamento que ficou fora do mínimo estabelecido, ou seja, qualquer demanda que tenha penalizado o KPI da área, ou, aquela conversa com o requisitante que tenha sido tensa.


Na sua visão, você se considera acima do esperado e já vislumbra um reconhecimento (bônus e até promoção). É aí que mora o perigo, pois se você não conhece as regras do jogo, você pode se frustrar e a decepção é tão grande, que a única opção é buscar outra oportunidade.


Como diz aquele ditado popular: “Ninguém vê os tombos que eu levo, só as pingas que eu bebo”.


O que quero trazer aqui é que devemos investir no marketing pessoal e mensurar não só os processos “visíveis” e que refletem nos relatórios da área, mas também aqueles “invisíveis” ou chamados “quebra-galhos” que fazemos diariamente e não são computados e que dependendo dos casos tomam um baita tempo e podem te prejudicar.


Importante: Antes de alimentar a sua cabeça com coisas negativas como: “Eu só me ferro; meu gestor não vê as coisas bacanas que eu faço; Fulano foi promovido/ganhou PLR de novo e eu não; Gerei um baita saving para a empresa, mas ele implicou que eu não bati a meta no KPI, etc…” avalie se:


  • A empresa tem um processo de avaliação de desempenho transparente ?

Saber qual o modelo de avaliação utilizado é importante, para não gerar nenhuma dúvida. Muitas empresas adotam um modelo de avaliação, que pode ser por Competência, Auto avaliação, Avaliação Direta ou 90º, Avaliação Conjunta ou 180º ou Avaliação 360º;


  • Você tem acesso a avaliação de desempenho e quais são suas metas para atingí-las?

Esse é o “mapa da mina”. Tenha isso em mãos e dedique-se a cumprir, realizar com excelência e até superar;


  • Você faz sessões de feedbacks periódicos com o seu gestor (conhecido como 1:1 - one to one) ?

Essas sessões vão te ajudar e muito no seu desenvolvimento. O que estiver ruim e o que pode ser melhorado. O gestor vai trazer casos que aconteceram e vai te ajudar a corrigir possíveis gaps;


  • Você recebe feedbacks de seus clientes internos ?

O cliente interno está mais no dia a dia contigo, do que seu próprio gestor, então exercite isso com ele. E importante, quando isso ocorrer, agradeçer mas pedir a ele que formalize ao seu gestor. Não espere pelo cliente interno. Se foi algo bacana que mereça destaque, compartilhe com ele e seu gestor e principalmente, mensure os reais ganhos (saving, eficiência operacional, etc);


  • Como está o seu relacionamento com seus colegas de trabalho, mesmo durante o homeoffice ?

Independente do seu nível hierárquico (Estagiário, Auxiliar, Junior, Pleno, Sênior, Especialista...), você precisa se relacionar e saber se precisam de algo ou se você pode ajudar em algo. Relacionamento interpessoal é uma competência que sempre está nas avaliações, independente do modelo adotado pela empresa;

Compartilhe o que sabe, participe de eventos e traga novidades sobre a área e mercado;


Se você avaliou os pontos acima e já os pratica, porém não tem visto nenhuma evolução profissional na empresa que atua, chame seu gestor para uma conversa.


Faça uma reflexão interior sobre o que seu gestor falou a seu respeito. As vezes, você pode ser o causador do problema e não enxerga, mesmo com as dicas do gestor.


Exemplos:


  • A pandemia chegou, a empresa reduziu o quadro de funcionários e você acumulou tarefas;

Converse com o seu gestor e Recursos Humanos, caso não esteja dando conta. Conversar ainda é o melhor remédio;

Trabalhar 15 horas por dia não vai te deixar melhor, mas sim DOENTE;

Empresas tem acompanhado um alto crescimento de profissionais adoecendo devido ao excesso de trabalho, depressão (burnout), por conta do confinamento e já oferecem canais com especialistas (Psicólogos, Especialistas em Ergonomia);


  • Você não consegue dar foco nas suas atividades. Suas demandas não são cumpridas no prazo;

Descubra qual é o real problema. Tem profissional que não conseguiu se adaptar ao homeoffice. Os problemas de casa se misturaram aos profissionais e ele está realmente perdido e não vê a hora de retornar ao escritório. Mas e as empresas que não voltarão ? Já é sabido que algumas já estão fechando parcerias com escritórios compartilhados (co-working), para minimizar esse problema. Converse com a sua empresa e veja se ela já não aderiu ao #anywhereoffice


  • Você não consegue retornar aos seus clientes internos, quanto ao status das demandas;

Como a maioria está no modelo virtual, algumas empresas tem criado na agenda horário ou um dia específico para que você consiga preparar um material de reporte (status report);


Aproveite parar criar alertas de pausa na sua agenda, Levantar e alongar-se, beber água e fazer as necessidades fisiológicas (mesmo que esteja em casa) são importantes para a sua saúde.



Até a próxima!


Escrito por André S. Lima | 26/08/2021